Pintando em vermelho



Uma aproveitosa aula de pintura


Em 2002 fiz um curso de artes promovido pela Fundação Jaime Câmara e ministrado pela artista e professora goiana Cléa Costa para sorte minha.
O curso era praticamente para quem possuía pouca noção de pintura e me assustei quando na primeira aula Cléa nos pediu antes que cada um de nós colhêssemos uma folha do jardim para desenhar e se possível pintar aquela folha escolhida de acordo com o gosto de cada um.
É certo que eu já desenhava há um bom tempo e tive a sensação de que eu estava no primeiro degrau de novo, visto que eu já pintava e desenhava e inclusive participava de coletivas, já havia conquistado algumas premiações no decorrer dos anos 80 para cá, inclusive já havia encontrado um caminho para minha arte - a geometria abstrata.
Ok. eu estava lá para aprender e nunca é demais porque a gente sabe que quando fazemos a leitura de um objeto com a finalidade de desenhar ou pintar, sempre abrimos nossa visão para detalhes que muitas vezes nos passavam desapercebidos. Pensar que já sabe de tudo é uma posição nada modesta e essa tomada de posição estagna o conhecimento.
Comecei por examinar aquela folha grande e observei suas nervuras ramificadas e formadas dispostas em repetições obedecendo a um seguimento matematicamente perfeito distendendo em partes minúsculas e multiplicadas até ao arremate de suas extremidades serrilhadas, pelo que é um fractal, apreciei a tonalidade do seu verde inglês e as manchas quase brancas espalhadas por sua superfície.
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Minha folha em todos detalhes era a linda (Cyclamen persicum).


Observando melhor a textura e nervuras de uma outra espécie de folha do lado de dentro em tamanho redimensionado com alta resolução. Espetáculo!

Clique na imagem e veja os mínimos detalhes em macro


Ok, contei esse episódio para falar sobre a próxima aula que tive e que gostei muito e ela foi no dia 24 de setembro de 2002.
O que vou transcrever revela o teor da aula, porque antes de começar a Cléa nos pedia para que escrevêssemos algo num diário ou folha de papel.  Aqui está:
Tela 50 x 60. Fundo vermelho. Vou pintar outro rosto hoje sem desenha-lo antes, vai ser no improviso, na criação bruta, sem modelo, usando a imaginação. Nada a ver como o que eu fazia antes, pois, já havia me desligado da arte figurativa. Vou delinear diretamente com o pincel e estou estranhando pintar com o fundo já pronto que trouxe de casa e a tinta ainda está fresca, isto é: está molhada e o rostos ficam escuros. Vamos ver hoje.
Duas telas pintadas com o fundo previamente preparado com tinta vermelha, Artista plástica Elma Carneiro
Mulheres em fundo vermelho, 
Técnica feita com a tela previamente pintada com uma cor deixando que ela interferira no resultado final  fazendo com  os elementos se incorporem nos espaços com a cor do fundo. Mas, meu resultado nessa tentativa não foi muito bom, mesmo que a ideia venha me auxiliar em uma nova criação, o que ainda pretendo fazer.Na tela a direita consegui algum resultado próximo do pretendido.
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About Elma Carneiro

"Venturis ventis"
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“Assim sendo, a criação artística é um processo mental e a obra de arte está no espírito do artista”. Croce
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