O primeiro homem foi um artista


Série: LEITURA sobre artes
Texto colhido do livro
Teorias da Arte Moderna de H.B. CHIPP.
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Bisão da Caverna de Altamira c.15.000 - 12.000 a. C - comprimento do bisão: 195 cm- Patrimônio Mundial da UNESCO.
As pinturas das paredes das cavernas de Altamira ao norte da Espanha foram as primeiras a serem descobertas. A descoberta ocorrida em 1879 esse bisão foi pintado no teto de um longo e estreito corredor que sai de uma caverna subterrânea em Altamira, o bisão não está sozinho ao decorrer da caverna a manada se une e encontram-se javalis , mamutes e outros animais desejados pelo homem.

O conceito da arte do período paleolítico 

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O primeiro homem era um artista.
Uma ciência da paleontologia fundamentada nessa afirmação poderia ser formulada se partisse do postulado de que o ato estético sempre antecedeu o ato social. A arte totêmica de pasmo frente ao ancestral-tigre ocorreu antes do ato de assassinato. É importante lembrar que a necessidade de sonho é mais forte do que qualquer outra necessidade utilitária. Na linguagem da ciência, a necessidade de compreender o desconhecido.
A primeira expressão do homem, como seu primeiro sonho, foi estética. A fala foi uma explosão poética, e não uma exigência da comunicação. O homem original, ao gritar suas consoantes, o fez como uma manifestação de espanto e raiva ante o estado trágico de sua autoconsciência e de sua impotência diante do nada. Filósofos e semióticos estão começando a aceitar o conceito de que, se definirmos a linguagem como a capacidade de comunicar por meio de sinais, sons ou gestos, então a linguagem é uma força animal. Quem quer que  tenha observado o pombo comum dar voltas em torno de sua fêmea sabe que ela sabe o que ele quer.
O que há de humano na linguagem é a literatura, e não a comunicação. O primeiro grito do homem foi uma canção. A primeira tentativa de comunicação de um homem com seu semelhante foi um grito de força e debilidade solene, e não um pedido de um pouco de água. Até o animal faz uma frustrada tentativa de poesia. Os ornitólogos explicam o canto do galo como uma explosão extática do seu poder. O mergulhão que desliza solitário pelo lago, com quem se está comunicando? O cão solitário uiva para a lua. Poderemos dizer que o primeiro homem chamou o sol e as estrelas de Deus como ato de comunicação, e só depois de ter terminado o trabalho do dia? O mito veio antes da caça. O objetivo da primeira fala do homem foi dirigir-se ao desconhecido. Seu comportamento teve origem em sua natureza artística.

Assim como a primeira fala do homem foi poética antes de se tornar utilitária, o homem construiu primeiro um ídolo de barro antes de imaginar um machado. A mão do homem fez correr o galho seco pelo barro para traçar uma linha antes de aprender a jogar esse galho como uma lança. Os arqueólogos nos dizem que a cabeça do machado sugeriu o ídolo com cabeça de machado. Ambos são encontrados nas mesmas camadas e podem ter sido contemporâneos. Talvez seja certo que o ídolo de cabeça de machado não poderia ter sido sem ferramentas como o machado, mas isso é uma divisão de trabalho,, e não do tempo, já que a figura de barro foi anterior tanto à figura de pedra como ao machado. (Uma figura pode ser feita de barro, mas um machado, não.) A imagem de Deus, e não a cerâmica, foi o primeiro ato manual. Foi a corrupção materialista da antropologia de hoje que nos tentou convencer de que o homem original fez cerâmica antes de fazer escultura, A cerâmica é produto de civilização. O ato artístico é a marca pessoal do homem.

A mais antiga história dos desejos do homem prova que o significado do mundo não pode ser encontrada no ato social. O exame do primeiro capítulo de gêneses proporciona melhor chave para o sonho humano. Ao autor arcaico era inconcebível que o homem original, Adão, tivesse sido posto na terra apara ser um trabalhador, para ser um animal social. Os impulsos criadores do escritor disseram-lhe que a origem do homem foi a de um artista que o colocou no Jardim do Éden, perto da Árvore do Conhecimento do bem e do mal, no mais alto sentido da revelação divina. A queda do homem foi entendida pelo autor e pelo seu público não como uma queda da Utopia para a luta, como uma queda da Graça  para o Pecado, mas sim que Adão, ao comer da Árvore do Conhecimento, buscou a vida criativa para ser, como Deus, "um criador de mundos", para usarmos a frase de Rashi, e foi reduzido à vida de trabalho em consequência de um castigo ciumento.
A explicação da queda do homem está em nossa incapacidade de viver a vida do criador. Foi uma queda do bem, e não da vida abundante. E é precisamente sob esse aspecto que o artista está hoje lutando para uma aproximação  com a verdade sobre o homem original maior do que aquela que pode ser pretendida pelo paleontólogo, pois o poeta e o artista é que se preocupam com a função do homem original e lutam para chegar ao seu estado criativo.
Qual a razão de ser, qual a a explicação do impulso aparentemente insano que o homem sente para ser pintor e poeta, senão a de um ato de defesa contra sua queda e uma afirmação de sua volta ao Adão do jardim do Éden? Pois  os artistas são os primeiros homens.




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“Assim sendo, a criação artística é um processo mental e a obra de arte está no espírito do artista”. Croce
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