Criação: alegria e dor

Elma Carneiro - 10/17 - técnica mista
Durante meu processo criativo carrego dois períodos distintos: Um de intensa alegria e outro de  angústia. 
Nunca estou satisfeita com o resultado de quando do momento da criação, aquele em que as ideias explodem. Sinto-me limitada na hora de configurar aquilo que está dentro de mim e meus momentos de satisfação com o resultado final são raros. Parece até que essa insatisfação me dá mais forças para caminhar, por isso estou sempre perseguindo a mim mesma com insistência, mas, tenho certeza de que não estou andando em círculos pisando sobre meus próprios passos. 
Continuo caminhando porque sei que vai chegar a hora em que estarei em harmonia com minhas buscas. Por isso tenho trabalhado bastante em adquirir técnicas nessa minha nova etapa quando estou experimentando produtos nada habituais, de difícil manejo em tela, sinto-me na era da arte primitiva quando o homem pintava em cavernas com materiais singelos que estavam ao seu alcance. Acho até que estou voltando às origens, começando do zero, a não ser o uso da tinta acrílica. O artista que não sofre é um moedeiro falso e um copiador em série nada original.

Para Stephen Nachmanovitch  todos os atos criativos são formas de divertimento. Sem divertimento o aprendizado e a evolução são impossíveis. E salienta: “a criatura que brinca está mais apta a se adaptar à mudança de contextos e de condições”. Também para Jung: “a criação do novo não é conquista do intelecto, mas do instinto de prazer agindo por uma necessidade interior. A mente criativa brinca com os objetos que ama”. É certo que o bom humor é uma força motriz da criação.. Contraditoriamente, a tristeza, a depressão, a angústia, a dor, podem ser fontes da mais sublime criação também. O próprio Nachmanovitch, admite isso: “nada pode deter o Criativo. Se a vida está cheia de alegria, a alegria alimenta o processo criativo. Se a vida está cheia de dor, a dor alimenta o processo criativo”. Para se fazer qualquer coisa com arte é preciso adquirir técnica, mas torna-se claro que nós criamos por meio de nossa técnica, e não com ela."
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"Venturis ventis"
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“Assim sendo, a criação artística é um processo mental e a obra de arte está no espírito do artista”. Croce
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